A DISPUTA EM SÃO PAULO: Russomanno – um cavalo paraguaio, novamente?

A última pesquisa (22/10) Datafolha para a eleição municipal da cidade de São Paulo trouxe termos como “derretimento”, “tombo” e “cavalo paraguaio” para indicar a candidatura de Celso Russomanno (Republicanos). A expressão “cavalo paraguaio” é tomada de empréstimo do futebol, quando uma equipe começa bem o campeonato e logo é superada pelos adversários. A origem data do ano de 1933, segundo informações históricas, por conta de Mossoró, um cavalo pernambucano de descendência paraguaia, que acabou vencendo a corrida, desbancando os favoritos.

Celso Russomanno tinha, em 08/10, 27% de intenção de votos e, em 22/10, estava com 20%. Bruno Covas (PSDB) tinha 21% e foi para 23%; Guilherme Boulos (PSOL) passou de 12% para 14%, Marcio França (PSB) de 8% para 10% e Jilmar Tatto (PT) de 1% para 4%, Arthur do Val Mamãe Falei (Patriota) foi de 3% para 4%; Joice Hasselmann (PSL) de 1% para 3%, Andrea Matarazzo (PSD) permaneceu com 2%; Levy Fidelix (PRTB) caiu de 2% para 1%; Orlando Silva (PCdoB) permaneceu com 1%; Marina Helou (REDE) permaneceu também com 1%; Vera (PSTU) também permanece com 1%, Sabará (NOVO) de 1% para 0; Antônio Carlos (PCO) também tinha 1% e foi para 0. Realmente, a pior notícia foi para Russomanno que despencou 7%. 

O grande questionamento, no início da campanha, é se Russomano, que nas duas últimas eleições também despontava em primeiro e nem foi para o segundo turno, repetiria o desempenho. O ponto destacado foi se associar-se com o Presidente Bolsonaro seria um diferencial, ponderando-se o bônus e o ônus dessa associação política. O mesmo se daria com Covas, associado a Doria, Governador, nos pontos que se somariam e na rejeição que se apresentaria. A eleição é um filme que está sendo projetado, mas a fotografia desta pesquisa é péssima para Russomanno, já que pode ser indicada que a rejeição a Bolsonaro foi, também, transferida para ele. Além disso, volta à tona vídeo no qual Russomanno, em seu programa televiso, acaba por ser indelicado com uma funcionária, operadora de caixa de supermercado, dando espaço aos adversários para construírem a imagem de alguém que “humilha o trabalhador”. Ademais, processos judiciais em relação a Russomanno, independente do resultado, são, também, lembrados pelos adversários. É o jogo da política. Matéria jornalística, há pouco, asseverou sob o Governo Bolsonaro, o volume de transferências federais para São Paulo caiu 90% comparado ao último ano do Governo Temer. Não tardou para que nas redes sociais Bolsonaro fosse chamado de “inimigo de São Paulo” e, com isso, a aproximação de Russomanno com o presidente tenha sido negativa. Bolsonaro, por exemplo, afirmou que não compraria a Coronavac, desenvolvida no Instituto Butantan em parceria com um laboratório chinês, e que a vacina não deveria ser obrigatória. Em queda na pesquisa, Russomanno quis se descolar de Bolsonaro afirmando que não veria problemas em comprar a vacina chinesa, desde que aprovada pela Anvisa; mas, ressalte-se, já havia dado declaração que era, como o presidente, contra a vacinação obrigatória.

Por Rodrigo Augusto Prando
 Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie, do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas. Graduado, Bacharel e Licenciado, em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp

Foto: reprodução site

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