PESQUISA ELEITORAL E O PRIMEIRO TURNO EM SÃO PAULO

Divulgada, em 09/11, quarta rodada da pesquisa de intenção de voto na cidade de São Paulo, realizada pelo Ibope, em parceria com a TV Globo e Estadão. Houve, portanto, pesquisas em 02/10, 15/10, 30/10 e, agora, em 09/10. Vejamos.

Bruno Covas (PSDB), prefeito que busca a reeleição, isola-se na liderança. Da primeira rodada de investigação de intenção de voto, partiu de 21% e, hoje, tem 32%, portanto, ganhou 11 pontos percentuais. Sua curva foi ascendente. Importante é destacar que sua rejeição é baixa – se comparada aos adversários – tem 17% (09/10). Tucanos já começam a sonhar com vitória em primeiro turno, creio ser pouco provável. Há um grupo embolado em empate técnico: Guilherme Boulos (13%), Celso Russomanno (12%) e Márcio França (10%); do PSOL, Republicanos e PSB, respectivamente. Ao contrário de Covas, a curva de Russomanno é descendente, queda enorme, pois começou na liderança com  26% e apresenta 8%, perdendo, até aqui, impressionantes 18%. Já havia se dado o mesmo em eleições passadas, nas quais saiu na frente e não chegou ao segundo turno. Desta vez, quis ser o candidato de Bolsonaro em São Paulo. Não deu certo. Sua estratégia, ao que tudo indica, não foi a melhor, já que Bolsonaro tem 54% de ruim e péssimo na avaliação de sua administração em São Paulo. Doria, por exemplo, tem, na mesma avaliação, 49% de ruim e péssimo, contudo, na campanha de Covas, Doria foi “usado” com parcimônia. Russomanno além da imagem associada a Bolsonaro e ao bolsonarismo, teve, novamente, vídeos antigos de suas atuações jornalísticas e, ainda, divulgação de processos na Justiça que sempre minam sua imagem. Boulos, jovem e carismático, numa dobradinha com um quadro histórico e experiente da esquerda, Luiza Erundina, tem sido a “novidade”. Partiu de 8% e estacionou em 13%, levando-se em conta a pesquisa de 30/10 e de 09/11. Acreditei que ele conseguiria ter um crescimento maior saindo da zona de empate técnico, todavia, já passou Russomanno numericamente e poderá ser beneficiado pelo voto útil de petistas que sabem que Tatto não avançará. Assim, dentro da lógica e do cenário em tela, tudo indica um segundo turno entre Boulos e Covas. Em todas as projeções de segundo turno, Covas é indicado como vencedor. Márcio França, por sua vez, foi governador assumindo no lugar de Alckmin, que disputou a presidência em 2018, e, na disputa com Doria para governador, teve vitória na capital. Mesmo assim, França partiu de 7% e se encontra com 10%; de 30/10 a 09/11, no entanto, perdeu 1% e, por isso, também é pouco provável que ele consiga chegar ao segundo turno. Jilmar Tatto, do PT, tem força no partido, mas pouca densidade eleitoral e partiu de 1% chegando a 6%. Tatto teve, inclusive, muitos militantes e atores do PT que sinalizaram apoio a Boulos, entendendo que este teria mais chances de chegar ao segundo turno do que o petista. Arthur do Val (Patriota) empolgou muitos jovens, partiu de 1% e se encontra com 5%, ou seja, em empate técnico com Tatto. Joyce Hasselmann partiu de 1% e estacionou em 2%. A título de registro, nesta última pesquisa, Andrea Matarazzo (PSD), Levi Fydelix (PRTB) e Orlando Silva (PCdoB) apresentam 1% de intenção de voto e Antônio Carlos (PCO), Marina Helou (REDE) e Vera Lúcia (PSTU) não pontuaram. 

Em síntese, Covas lidera e, provavelmente, no grupo embolado – Boulos, Russomanno e França – as disputas por votos serão até o último momento. Particularmente, tendo a crer na ida de Boulos junto com Covas no segundo turno. Covas pode ganhar no primeiro turno? Pode, mas não creio que ganhe pontos até sábado para isso. 

Por Rodrigo Augusto Prando
Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie, do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas. Graduado, Bacharel e Licenciado, em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp